Elizabeth Tudor nasceu no Palácio de Greenwich em 7 de setembro de 1533, filha do rei Henrique VIII com Ana Bolena, no matrimônio que abalou a Inglaterra. Seu nascimento foi precedido pela expectativa do surgimento do herdeiro masculino tão aguardado para o trono como a esperança de continuidade da descendência da dinastia, então o primeiro impacto que ela causou na corte foi a decepção. O fracasso do casamento de seus pais resultou na execução de Ana Bolena quando Elizabeth tinha apenas 2 anos de idade.
Assim como sua meia-irmã mais velha, Maria, foi declarada ilegítima por causa da anulação do casamento no qual ela foi gerada, mas a jovem Lady Elizabeth continuou recebendo cuidados adequados conforme sua condição nobre. Ela foi instruída por tutores especialmente designados, aprendendo latim, grego, francês, italiano e espanhol, além de questões de Estado.
Em 1537, com o nascimento de seu irmão mais jovem, Eduardo, filho do terceiro casamento de Henrique VIII com Jane Seymour, a possibilidade de eventual reconhecimento de sua legitimidade como herdeira do trono foi ainda mais comprometida. A saúde precária do príncipe Eduardo era uma constante fonte de preocupação e a inexistência de alternativas para uma sucessão afetaria invariavelmente a continuidade dinástica, assim, em 1543, através do Ato de Sucessão, o rei restaurou legalmente as posições das filhas mais velhas como herdeiras do trono.
Eduardo VI foi coroado em 1547 e, durante seu reinado, Elizabeth desfrutou de uma situação confortável, mas a coisa mudou quando sua irmã mais velha assumiu o trono em 1554. Católica fervorosa, Maria I iniciou um processo de anulação das reformas religiosas de Henrique VIII, renegando os avanços do protestantismo e perseguindo seus adeptos. Elizabeth foi tratada como participante de conspirações e foi mantida em cativeiro. A morte de Maria I sem deixar herdeiros, em 1558, posicionou Elizabeth como herdeira legítima, apesar de contestações de católicos ingleses e de outros reinos favoráveis que defendiam a prima Maria da Escócia como sucessora.
Elizabeth retomou o Ato de Supremacia instituto durante o reinado do pai e que definia a figura da rainha como líder da Igreja da Inglaterra, voltando a romper os vínculos com o papado. Através do Ato de Uniformidade, os ritos religiosos válidos na Inglaterra eram apenas aqueles da religião nacional, o que proibia as práticas católicas no reino e outras normas determinavam punições para quem não frequentasse a Igreja Anglicana.
As perseguições aos católicos foram severas diante das repressões às conspirações internas, mas também afetaram as relações inglesas com outros reinos europeus. Apesar de parentes, Elizabeth determinou a prisão e execução de Maria, a rainha escocesa, vista como uma ameaçadora pretendente ao trono inglês que reunia muitos apoiadores dentro e fora do país. O ato inflamou ainda mais as desgastadas relações entre a Inglaterra e a Espanha, que se enfrentaram numa decisiva batalha que favoreceu a Inglaterra em 1588. As duas monarquias continuaram se enfrentando indiretamente através de alianças opostas em conflitos em outras regiões, como na Holanda e na Irlanda, onde também contaram fatores religiosos no desenvolvimento de guerras.
Apesar das graves e violentas tensões religiosas, além de conflitos diplomáticos e militares, o período elizabetano é conhecido como “Era de Ouro”. Foi sob seu reinado que a Inglaterra iniciou o processo de exploração colonial e expansão marítima e a própria rainha patrocinou expedições exploratórias. Os navegadores Sir Walter Raleigh e Sir Francis Drake contaram com o incentivo da monarca e até, como era especulado, foram amantes dela. Os dois realizaram feitos incríveis pilhando navios espanhóis e obtendo êxitos como a circunavegação do globo de Drake (1577-1580) e iniciando a fundação de colônias no Novo Mundo através da empreitada de Raleigh (1584). A expansão da atividade inglesa proporcionou novos conflitos com os espanhóis, mas ampliou horizontes econômicos. A Inglaterra celebrou ainda contatos comerciais com a Rússia de Ivan IV através da Companhia Moscovita, criando mais uma conexão comercial importante.
Sob seu reinado floresceu uma fase produtiva nas artes, revelando nomes como William Shakespeare e proporcionando um cenário favorável para a música, artes plásticas e arquitetura numa época de valorização da identidade nacional inglesa e afirmação do reino como uma potência, mas em sua fase final a rainha precisou lidar com a dificuldades de seu isolamento crescente após a perda de importantes aliados na corte, além de problemas decorrentes da redução de colheitas, aumento da pobreza e dos custos públicos, abalando o ânimo a apoio da população. Em 1601 ocorreu a Revolta de Essex, um motim liderado por um ex-aliado contra a monarca, sinalizando os perigos do desgaste alcançado pelas crises internas.
Elizabeth morreu aos 69 anos, em 24 de março de 1603. Ela não casou nem teve herdeiros naturais, sendo a última de sua linhagem e consumando o medo de Henrique VIII. Sua morte representou o fim da Dinastia Tudor. Este desfecho preocupou a corte durante todo reinado da “Rainha Virgem”, mas era visto como inevitável. A falta de um descendente elevou a reivindicação de James VI da Escócia. Ele era bisneto de Henrique VII, sobrinho de Henrique VIII e filho da rainha escocesa Maria, presa e executada sob as ordens de Elizabeth. O eventual ressentimento pela morte da mãe deu lugar a uma negociada e trabalhada relação diplomática para a transição e legitimação de sua aclamação como rei que reuniu as coroas da Escócia e Inglaterra.
Referências:


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