Um gênio excêntrico entre os notáveis filósofos da Grécia Antiga foi Diógenes de Sinope, pensador que promoveu reflexões profundas e teve um estilo de vida muito incomum entre os sábios de sua época. Ele nasceu por volta de 412 ou 404 a.C. em Sinope, uma colônia jônica na costa do Mar Negro, na atual Turquia. Seu pai, Hicesias, trabalhava cunhando moedas, o que era um serviço técnico delicado, que assegurava boas condições de vida e proporcionava uma posição social respeitável e Diógenes foi seu aprendiz e iniciou a carreira no ofício até que foi um dia foram acusados de praticar fraudes na adulteração das moedas que produziam. A situação levou a família para o exílio em Atenas e lá Diógenes conheceu Antístenes, que foi aluno de Sócrates e um dos pioneiros na filosofia cínica, linha que valoriza a autossuficiência e oposição aos valores materialistas e muitas convenções sociais tidas como adequadas. Os princípios desta filosofia impressionaram Diógenes, que acabou sendo o maior representante desta corrente do pensamento associada a parâmetros para a vida.
Ele passou a aprofundar os princípios cínicos e difundia seus pensamentos através de discursos, debates e por meio da demonstração de suas perspectivas através da ação direta. Ele discutia com figuras importantes em Atenas e um de seus mais frequentes oponentes em debates era o importante filósofo Platão, a quem ele criticava por ser abstrato e teórico, produzindo um pensamento que não era prático. Numa situação conhecida ele resolveu provocar Platão a respeito de sua definição de o homem como um “bípede sem penas”, então surgiu numa aula do notável filósofo com uma galinha depenada e proclamou: “Eis o homem de Platão”. Depois disso Platão modificou sua definição.
Diógenes defendia que a felicidade verdadeira poderia ser alcançada através da superação das necessidades de bens materiais, livrando-se da dependência de coisas que iam além daquilo que bastava para assegurar a sobrevivência. Ele condenava os luxos e os confortos que acreditava afastar o homem da vida de acordo com a natureza e decidiu levar uma vida desapegada conforme suas convicções. Ele também acreditada que as pessoas tinham uma identidade universal, rejeitando a ideia de nacionalidades e apegos a vínculos e tradições locais. Ele decidiu viver nas ruas, em situação de precariedade e em estado de extrema pobreza, dormia abrigado como conseguia e chegavam a dizer que ele “morava” dentro de um barril ou de um grande vaso no mercado público para exemplificar sua condição.
O filósofo que desafiava as convenções sociais perambulava pela cidade carregando uma luminária acesa em plena luz do dia alegando que estava procurando um homem honesto, usando esse gesto como forma de ironizar os valores morais consagrados pelas pessoas ao seu redor. O desapego e o desprezo de Diógenes pelos aspectos de sua sociedade eram tamanhos que ele não media as palavras sequer para lidar com as figuras mais poderosas e num episódio marcante ninguém menos que o próprio Alexandre, o Grande, resolveu conhecer o pensador e fez uma oferta generosa de se dispor a realizar um pedido feito pelo sábio cínico, mas Diógenes resolveu responder ofendendo o imperador, que estava diante dele atrapalhando sua rotina: “afasta-te um pouco e não me tires o sol”. A audácia de Diógenes não irritou Alexandre, que respondeu de volta: “Se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes”.
Sua vida de desapego e pobreza por opção deixava o filósofo em situação vulnerável nas ruas e num dia ele acabou sendo capturado por vendedores de escravos e foi parar num mercado em Corinto, onde foi um homem chamado Xeniades apareceu como comprador. Xeniades queria saber do escravo o que ele sabia fazer e Diógenes respondeu: “Eu sei governar homens”. Impressionado e convencido de que estava diante de um sábio, o homem pagou por Diógenes e o empregou como mestre de seus filhos em sua propriedade e lá o filósofo era respeitado reconhecido como um notável conselheiro e, apesar de escravo, sentia-se mais livre que os seus senhores porque era independente através de sua filosofia e princípios.
Diógenes morreu em Corinto por volta dos 90 anos de idade.
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