O francês Michel de Nostredame (1503-1566) teve origens em uma família que gozava de uma confortável situação, o que lhe permitiu o acesso a um elevado nível de instrução, privilégio que não estava disponível para todos. Seu primeiro mestre foi seu avô, homem de erudição que lhe ensinou matemática, latim, grego e hebraico. Ainda jovem ele começou a trabalhar como apotecário, que era um profissional que praticava a medicina sem a devida formação, situação que acabou virando um problema quando ele finalmente ingressou na Universidade de Montpellier para obter o diploma, pois sua atuação informal e clandestina era vista como um desvio sério pela instituição, o que acarretou sua expulsão do curso de medicina. A situação não impediu que ele seguisse no serviço médico, pois não faltava serviço. Ele viajou a trabalho pela França e Itália, acumulando experiência e reconhecimento lidando com a Peste Negra, procedendo abordagens eficientes nos métodos de prevenção e cuidados com os infectados, identificando providências que enfatizavam a relevância da higiene e na prescrição de tratamentos com ervas e vitamina C.
Durante esta fase de dedicação ao combate à peste, o médico inovador que ajudou a salvar inúmeras vidas sentiu a fatalidade da situação, pois sua esposa e os dois filhos também foram vítimas da contaminação, drama que contrastou com todo respeito, admiração e reconhecimento público oficial por seus serviços. A partir de meados da década de 1540, ele começou a ter interesses por temas voltados ao conhecimento ocultista e astrologia, fixou-se em Salon-de-Provence e se casou pela segunda vez, iniciando uma nova família.
Em sua nova fase ele alegava ter visões enquanto realizava suas meditações noturnas, afirmando que eram revelações de situações que ainda estavam por acontecer. Adotando a latinização de seu nome como Nostradamus, ele publicou compilações de suas visões e este material logo obteve sucesso, resultando na posterior obra “Les Prophéties” (1555). As previsões eram apresentadas através de versos enigmáticos sujeitos a interpretações e geraram muitas especulações desde a época de publicação.
A receptividade às previsões de Nostradamus implicou em fama, o que atraiu o interesse de protetores e patrocinadores na nobreza, incluindo a própria Catarina de Médici, rainha da França. Nobres curiosos e ávidos pelos mistérios ocultos recorriam aos seus serviços astrológicos, pagando por previsões e revelações do futuro. Por outro lado, o ocultista também tinha seus críticos, que o acusavam de charlatanismo. Além disso, figuras na Igreja Católica não valorizava os eventuais dons sobrenaturais de Nostradamus nem sua proximidade com altos escalões da nobreza, embora não tenham sido firmadas acusações formais de heresia contra ele. Suas conexões com poderosos pode ter sido um fator de proteção contra perseguições.
Nostradamus continuou fazendo suas previsões e produzindo escritos sujeitos a interpretações até seus últimos anos. Ele morreu em 1566, aos 62 anos. Suas diversas e misteriosas previsões foram sendo submetidas às mais variadas interpretações ao longo dos anos, exploradas por especialistas e especuladores que associam o conteúdo produzido por Nostradamus a controvertidas situações históricas.
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