A riqueza da mitologia grega contém uma impressionante variedade de personagens envolvidos em narrativas fascinantes. São divindades, titãs, seres etéreos, figuras heroicas, ninfas, musas, gigantes, espíritos, semideuses, humanos, criaturas e monstros que constituem um universo de histórias com diversos significados e ensinamentos. Determinados entes são tão peculiares que a categorização é difícil de ser estabelecida.
Um deles é Procusto, que, embora humano, não difere de um monstro. Trata-se de uma espécie de “serial killer” mitológico que, segundo a tradição, vivia às margens da estrada perto da cidade sagrada de Elêusis. Ele se apresentava como uma pessoa amistosa e solícita oferecendo abrigo noturno aos viajantes, mas esta hospitalidade era uma cruel armadilha.
Quando o desavisado entrava na casa de Procusto era encaminhado para um aposento onde supostamente teria seu descanso e ao convidado era oferecida uma cama para se deitar, mas o anfitrião perverso fazia disso a oportunidade que queria para a tortura que fazia parte de sua verdadeira intenção. Os hóspedes não se ajustariam às camas da casa de Procusto, pois seriam ou altos demais para que pudessem caber nelas ou as camas seriam grandes demais para seus corpos. Quando o visitante não cabia na cama mais curta tinha seus membros violentamente cortados pelo hospedeiro para ajustar-se ao leito, mas quando seus corpos eram curtos para as camas grandes eles eram presos e esticados dolorosamente até que coubessem. Em qualquer caso ninguém que aceitasse o convite de Procusto terminava a noite com vida.
A satisfação assassina de Procusto foi finalmente desafiada pelo herói Teseu, filho do rei de Egeu de Atenas. Em suas andanças pelas estradas da Grécia, Teseu encarou vários desafios para provar seu valor, derrotando malfeitores conhecidos, feras ameaçadoras e monstros implacáveis. Até chegar à casa de Procusto, durante uma viajem de Trezena para Atenas, ele já havia dado conta de superar em combate o famoso bandido Perifetes, o Cilindro, matou o perverso assassino conhecido como Sinis, o Torturador, caçou a feroz Javali de Crommíon, eliminou o criminoso Sciron, o Salteador, desafiou e venceu o brutamontes Cercyon, o Lutador de Elêusis. O herói estava no rastro das ameaças aos viajantes e o hospedeiro sádico era seu próximo alvo. Fingindo precisar de repouso noturno, Teseu aceitou dormir na casa de Procusto, mas seu verdadeiro propósito era repetir o que já fez com os malfeitores que derrotou pelo caminho: impor contra eles os mesmos atos que praticavam em suas vítimas. Depois de deter Procusto, Teseu o fez “caber” em suas camas e livrou definitivamente os viajantes incautos e cansados da ameaça do hospedeiro assassino.

