Os quilombos foram refúgios e locais de resistência importantes ao longo do período escravista brasileiro, revelando lideranças firmes e destemidas que tiveram seus legados propositalmente negligenciados para que futuras gerações não conhecessem seus exemplos e suas histórias. Tereza de Benguela é uma delas.
As informações sobre suas origens são imprecisas, pois não se sabe se ela nasceu em algum lugar da África ou no Brasil e tampouco é conhecida a data de seu nascimento. O que se tem de informação a seu respeito é que Tereza foi casada com o quilombola José Piolho, líder da comunidade conhecida como Quilombo do Piolho ou Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso do século XVIII.
A região atraía interesses dos colonizadores por causa da atividade mineradora, principalmente a busca por ouro. A presença dos exploradores coloniais implicava no emprego da mão-de-obra escrava para potencializar os ganhos materiais e, como em outras regiões coloniais, os cativos resistiam à condição de degradação que era imposta pelo sistema escravista.
Quariterê era o maior quilombo do Mato Grosso e José Piolho acabou sendo assassinado por volta de 1750, fazendo com que Tereza assumisse por conta própria o comando de seu povo. Durante os vinte anos seguintes a pequena e resiliente comunidade manteve sua autonomia, abrigando negros e também indígenas que reconheciam Tereza como sua rainha. Ela implementou um regime no qual a participação da comunidade era assegurada nos processos de decisórios e a produção agrícola viabilizava a subsistência e gerava excedentes que eram negociados externamente.
O difícil acesso ao local e a estrutura fortificada montada ao seu redor contribuíam para a defesa do quilombo, que resistiu a tentativas de ataque. Porém, em 1770, o visconde de Balsemão, homem de experimentada formação militar que foi designado para exercer o governo da capitania, conseguiu reunir forças para desbaratar o foco de resistência. Mesmo equipados com armas obtidas através de transações comerciais ou mesmo por meio de roubo, os habitantes de Quariterê não foram capazes de superar os ataques, resultando em mortes decorrente do confronto direto e fugas.
Assim como a origem de Tereza de Benguela não é conhecida, o mesmo ocorre com seu destino depois do confronto. Não se sabe se ela morreu na luta, se fugiu ou se foi capturada, mas a presença de uma liderança feminina diante de uma comunidade que viveu e progrediu na resistência é celebrada através do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, no dia 25 de julho.


[…] Tereza de Benguela e a resistência quilombola no Mato Grosso do século XVIII […]