O povo Zulu, do sul da África, constituiu uma cultura rica e uma tradição forte e resistente, de aspectos que persistem a séculos. Eles constituíram um vigoroso e diversificado universo de crenças, com deidades, mitos e lendas variadas e interessantes. Como parte da tradição, os zulus conceberam a noção de que os humanos eram compostos por pelo corpo físico, o “sopro” (força vital), e a “sombra” (personalidade). Depois da morte, se a pessoa era em vida dotada de boas virtudes e merecedora de respeito, sua alma existiria como um “idlozi”, ou espírito ancestral, que orientaria os rumos dos viventes. Além dessa influência, os deuses representam forças superiores.
Inkosazana personifica a divindade da agricultura, da terra e da fertilidade, também associada aos rios, chuvas e fertilidade humana, atributos essenciais para a sobrevivência e perpetuação. Conforme a crença, ela vive nas águas e sua principal forma é a de uma sereia, apesar de sua capacidade de mudar de aparência derivada do poder sobre o mundo natural. Sua representação também é vinculada à cobra píton, uma de suas conexões com a natureza. Durante a criação do mundo ela contribuiu ofertando as plantas e o conhecimento das práticas agrícolas. Também é dela a função de reger as mudanças climáticas e a transição entre as estações do ano, tão importantes para o planejamento das atividades da agricultura.
Os curandeiros, conhecidos como Isangoma, são os humanos qualificados para o contato com a deusa, recebendo dela mensagens, orientações e comandos que precisam ser transmitidas para a comunidade. Rituais em sua honra são clamores pela prosperidade das colheitas e sua invocação é solicitada para abençoar casamentos e para proporcionar o crescimento familiar através do nascimento de filhos.


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