Luís XIV (1638-1715), o Rei Sol, é uma das figuras mais emblemáticas da história europeia. Quando ele ascendeu ao trono francês aos quatro anos de idade, por ocasião da morte de seu pai, Luís XIII, o governo ficou sob regência de sua mãe, Ana da Áustria, e do Cardeal Mazarin. O influente líder católico permaneceu como auxiliar do governo mesmo depois da maioridade do rei, que finalmente assumiu o comando por conta própria em 1661 e desde então passou a imprimir seu estilo de governar de maneira autoritária baseado no entendimento de que era rei por direito divino.
Ícone do absolutismo, Luís XIV ficou marcado pelo lema “L’État, c’est moi” (“O Estado sou eu”), embora não exista efetivamente registro de que ele pronunciou esta afirmação atribuía como sua, a frase simboliza bem a noção de centralização do poder exercida em seu reinado. As ações, identidade e bem-estar do Estado estavam associadas à vontade e decisão do monarca, fortalecido por um verdadeiro culto à personalidade.
Uma das maneiras de demonstrar sua autoridade e poder era a demonstração de sua ambição como arquiteto de uma política externa agressiva e da promoção de um estilo de vida exuberante que deixasse evidente o quanto a monarquia francesa era grandiosa.
Em relação à imposição de força, a França envolveu-se numa rotina constante de conflitos internacionais, destacando entre os vários embates internacionais a Guerra de Devolução (1667–1668), na qual confrontou a Espanha através da ação militar, reivindicando parte do dote territorial que ela alegou não ter sido cumprido por seu casamento a princesa espanhola Maria Teresa; a Guerra Franco-Holandesa (1672–1678), uma invasão aos Países Baixos com pretensões de ampliação territorial; a Guerra dos Reinos (1683-1697), uma série de conflitos motivados pela aspiração francesa de estender suas fronteiras; e a Guerra da Sucessão Espanhola (1701–1714), um conflito que envolveu diversos países europeus contra a possibilidade de unificação das coroas da França e Espanha, decorrente da morte do rei espanhol Carlos II, que tinha como herdeiro o príncipe Felipe de Anjou, que também era neto de Luís XIV.
A construção e manutenção do imponente Palácio de Versalhes foi a mais relevante iniciativa de ressaltar a grandeza de seu reinado. Versalhes, com sua dimensão colossal, e virou um símbolo do poder real e centro de convivência para uma corte opulenta que passava a viver sob as vistas e controle do rei. A luxuosa e sofisticada vida cortesã era assegurada por uma multidão de serviçais, por extravagâncias e condições que eram muito diferentes daquilo que marcava a vida da população francesa. Em Versalhes a corte era entretida por artistas financiados pela Coroa e nutrida com fartura enquanto faltava pão na mesa do francês pobre.
O enorme custo das guerras de limitados resultados territoriais ou de conquistas temporárias forçadas pelos tratados pós-guerra trouxeram consequências graves para os cofres públicos. Isso gerava descontentamento entre a população, que arcava com uma pressão tributária pesada, frequentemente assegurada pela violência e confiscos para bancar as despesas do Estado. As guerras ainda reforçavam o desgaste internacional francês, que se cercava de nações inimigas e hostis cada vez mais articuladas em coalizões para impedir a inesgotável ambição externa de Luís XIV. Essa política também desgastou o próprio exército, que sofria baixas e exaustão pelo frequente acionamento para participar de campanhas bélicas.
O Rei Sol se casou com Maria Teresa, filha do rei da Espanha, em 1660, firmando através da união uma aliança estratégica com o país vizinho depois de se enfrentarem numa guerra, embora o rei francês tenha voltado a enfrentar a Espanha anos depois justificando o descumprimento do pagamento do dote. Maria Teresa tinha pouca influência na corte e teve que lidar com a infidelidade descarada e pública do marido. O casal real teve vários filhos, mas apenas Luís, o Grande Delfim, conseguiu chegar à idade adulta. Entre os casos do rei, o mais famoso foi com a cortesã Françoise-Athénaïs, a Marquesa de Montespan, que exerceu, ao contrário da rainha, uma posição influente na corte e sobre o rei, mas entrou em desgraça por ocasião do infame “Affaire des Poisons” (Caso dos Venenos), uma complicada conspiração que envolveu práticas de rituais macabros e até assassinatos de figuras da corte, com participação de La Voisin, uma mulher de reputação sombria como bruxa e envenenadora profissional. A poderosa amante do rei, acabou escapando das acusações de envolvimento e foi banida da corte, apesar de ter tido filhos com o rei no decorrer do relacionamento.
A rainha morreu em 1683 e depois disso monarca se casou secretamente com mais uma de suas amantes, Françoise d’Aubigné, a Marquesa de Maintenon, que teve influência sobre o rei em temas como religião. O soberano francês teve diversos filhos, a maioria deles ilegítimos. Seu herdeiro oficial e legítimo, Luís, o Grande Delfim (1661–1711), teve pouco papel nos assuntos do Estado. O primeiro da linha sucessória casou e teve três filhos, mas morreu aos 50 anos e seu herdeiro mais velho, o Duque de Borgonha, que também se chamava Luís, morreu no ano seguinte, passando a sucessão direta para o bisneto do Rei Sol, que acabou assumindo o trono como Luís XV.
Luís XIV morreu em 1 de setembro de 1715, prestes a completar 77 anos de idade. Seu longo período no trono durou 72 anos e mais 110 dias.
Referências:


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