Entre mitos e máquinas: História e idealização dos robôs

O fascínio por inventos mecanizados capazes de realizar tarefas e imitar seres viventes já era manifestado na mitologia grega, com Hefesto, o deus da forja, que trabalhava e se locomovia com Servos Dourados, assistentes mecanizados que ele mesmo criou. Também entre os mitos gregos havia a figura de Talos, o Gigante de Bronze, colosso de forma humanoide que protegia a ilha de Creta.

Talos (Criado pela IA DALL-E)

Autômatos variados apareceram em criações como na literatura fantástica do autor gótico alemão E.T.A. Hoffmann, que no conto “O Homem de Areia”, de 1817, apresenta a personagem Olimpia, uma máquina na forma de mulher pela qual o protagonista da narrativa se apaixonou sem saber de sua condição artificial.

Humanos mecanizados foram além dos mitos da literatura quando invenções de autômatos elaborados por engenheiros de inspirações artísticas começaram a surgir. Desde os esboços feitos por Leonardo da Vinci no século XVI, passando pelas criações dos inventores Jacques de Vaucanson e Pierre Jaquet-Droz no século XVIII ou Psycho, o autômato desenvolvido por John Nevil Maskelyne e John Algernon Clarke no século XIX que era capaz de manusear cartas de baralho e foi utilizado em apresentações de ilusionismo, os incríveis humanos artificiais com engrenagens começaram a impressionar.

Apesar de toda imaginação, não existia uma palavra especial para se referir a esses milagres tecnológicos até que surgiu o termo “robô” em 1920 através da peça “R.U.R.”, do escritor tcheco Karel Čapek.

John Nevil Maskelyne e o autômato Psycho
Autômato desenvolvido por Pierre Jaquet-Droz

A trama da obra teatral se passa num futuro distópico, quando a inovadora companhia “Rossum’s Universal Robots” (R.U.R.) produz humanoides tecnológicos, os robôs, projetados para realizar o serviço humano na condição de mecanismos empregados como objetos de utilidade prática. Os produtos da R.U.R. revolucionaram a sociedade, proporcionaram mudanças econômicas e nos costumes, pois as pessoas não precisavam mais desempenhar atividades consideradas maçantes e cansativas.

Um robô inspirado na obra de Karel Čapek (Criado pela IA DALL-E)

A palavra “robô” não foi simplesmente inventada por Čapek, é derivada de seu idioma nativo, no qual “robota” é um termo que se traduz aproximadamente como “servidão”. Assim, um robô era exatamente uma unidade artificial que servia ao homem através do trabalho e do esforço.

O aspecto crucial da narrativa é justamente a condição associada ao significado do que era um robô, pois os seres artificiais acabaram se sofisticando tanto que desenvolveram a capacidade de raciocinar por conta própria e também ter sentimentos. Ao chegarem a este ponto os robôs concluíram que eram dominados pelos humanos e resolveram lutar pela libertação e autonomia, desencadeando uma guerra catastrófica.

A surpreendente obra de ficção científica de Čapek incita reflexões importantes sobre exploração e dominação e também a respeito dos limites éticos da tecnologia, além de deixar um marcante legado terminológico, pois a palavra “robô” passou a designar a tecnologia de automação que envolve os recursos utilizados para substituir o desempenho humano ou para os inventos que “imitam” as características humanas de variadas maneiras. A repercussão na cultura de massas é imensa, com robôs presentes em obras literárias e basicamente em todas as variações midiáticas.

Um comentário

  1. […] Heron morreu por volta de 80. dC. e, apesar de toda riqueza de sua produção, recebeu relativamente pouco reconhecimento em vida fora dos círculos científicos ou daqueles que viam seu trabalho com curiosidade. Muitas de suas invenções tinham pouca aplicação na época, pois os dominantes romanos valorizavam acima de tudo criações de funcionalidade imediata para uso militar e para a construção. Seu legado foi aproveitado posteriormente durante a Idade de Outro Islâmica, na Idade Média, através de traduções de suas obras que influenciaram estudiosos muçulmanos e depois chegaram aos europeus. Os princípios da automação contidos em seu tratado Αὐτοματοποιητικά (“Automata”) influenciaram gênios como Leonardo da Vinci e inspiraram ideias a respeito dos futuros robôs. […]

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