O Velho Oeste envolvia uma dimensão geográfica e um contexto histórico. Geograficamente, correspondia às áreas da fronteira dos Estados Unidos, principalmente a oeste do Rio Mississippi. Essa região incluiu, ao longo do tempo, grandes áreas do que hoje são os estados do meio-oeste, sudoeste e a costa oeste dos Estados Unidos. A expansão para o oeste foi um processo dinâmico, com a fronteira movendo-se continuamente para oeste à medida que novos territórios eram explorados, colonizados e integrados aos Estados Unidos.
Historicamente, o período associado ao Velho Oeste abrange o final do século XVIII até o início do século XX. Este foi um tempo marcado por intensa expansão territorial, migração, conflitos com povos indígenas nativos, a Guerra Mexicano-Americana, conflitos e tensões raciais, a corrida do ouro, a construção de ferrovias e o estabelecimento de novas comunidades e estados. Foi também uma era de transformação social e econômica, com a emergência de uma cultura única influenciada por diversos grupos, incluindo colonos europeus, povos indígenas, afro-americanos e imigrantes asiáticos.
Um dos fatores mais chamativos em torno do contexto foi a atuação dos conflitos envolvendo os bandidos que foram frequentemente romantizados pela literatura e cinema, que apresentou os foras-da-lei como heróis rebeldes ou vilões implacáveis, muitas vezes desfocando as linhas entre realidade e ficção. Os bandidos do Velho Oeste, como Jesse James, Billy the Kid e Butch Cassidy, tornaram-se ícones, simbolizando a liberdade desregrada e a resistência contra as estruturas de poder. Mas o banditismo no Velho Oeste não era tão romântico ou heroico como muitas vezes foi retratado. Essa era marcada por uma ordem social e legal em desenvolvimento, onde a aplicação da lei era muitas vezes inconsistente pela ausência ou incapacidade institucional naquelas regiões remotas.
Isso criou um ambiente propício para atividades ilegais como roubo, assalto a bancos e trens, e gado. Muitos dos chamados “foras-da-lei” eram criminosos comuns, movidos por ganância, desespero ou circunstâncias difíceis, e suas ações frequentemente resultavam em violência e terror para as comunidades locais. Além disso, conflitos com povos indígenas e disputas por terras eram comuns, contribuindo para a instabilidade e a violência da época.
Entre os nomes notórios da criminalidade nos tempos do faroeste destacou-se William Preston Longley (1851–1878), também conhecido como Wild Bill Longley. Ele fez fama principalmente como um pistoleiro extremamente habilidoso e supostamente um dos mais letais de sua época, embora muito de sua fama e história seja envolvida em lendas e exageros.
Nascido no Texas, Wild Bill começou a despontar para o crime depois da Guerra Civil Americana ainda adolescente, tendo praticado seu primeiro homicídio por volta dos 16 anos de idade, já demonstrando um temperamento incontrolável. No decorrer de sua carreira como matador, o pistoleiro fez vítimas em decorrência de conflitos pessoais que resultaram em violência fatal, eliminou supostos rivais e matou pessoas incidentalmente em tiroteios nos quais esteve envolvido.
Um aspecto importante em sua jornada assassina era o ódio racial, pois um perfil considerável de suas vítimas era constituído especialmente por afro-americanos, mas também incluindo indígenas e hispano-mexicanos. Wild Bill era declaradamente racista e confessou que fatores étnicos determinaram sua decisão de efetuar diversos assassinatos. A atitude racista de Longley não era um traço isolado, mas sim parte de um padrão mais amplo de intolerância racial que marcou o período posterior à Guerra Civil.
Figura procurada pelas autoridades, o bandido acabou sendo detido no sul do Texas em decorrência de uma verdadeira caçada em 1877. Durante a prisão, o assassino alegou que passou por uma renovação espiritual, passando ser um cristão devotado, utilizando esta suposta mudança como argumento para se safar da pena de morte que já havia sido imposta em seu julgamento pelo assassinato de um homem chamado Wilson Anderson, deixando de lado as incontáveis outras vítimas fatais de sua ação.
O matador foi enforcado em 11 de outubro de 1878, aos 27 anos. Sua história motivou horror, mas também inspirou admiradores que espalharam narrativas sobre sua perícia no manejo de armas de fogo, ousadia e até a respeito de sua postura racista como uma virtude.

