Vampiros em diversas mitologias e lendas

Eles são seres sombrios, horripilantes e malignos sugadores de sangue que drenam as vidas de suas vítimas, mas conseguem viver no imaginário de diversos povos em suas variadas formas e características. Criaturas hematófagas e vampirescas exercem, apesar do terror, fascinação universal associada às misteriosas e sobrenaturais expressões do medo e da morte. Culturas distintas conceberam suas próprias versões dos monstros sugadores que o mundo passou a conhecer como vampiros. Seres que desafiam o que é natural são concebidos como frutos da imaginação humana que explora o desconhecido através de mitos e lendas que mexem com o inevitável tema da morte. Estas entidades podem ter suas características próprias, refletindo o meio no qual foram concebidas, mas podemos aqui apresentar como vampiros.

Lamastu (Mitologia Mesopotâmica)

Uma das primeiras representações de uma entidade vampiresca é a monstruosa deusa demoníaca que se alimentava do sangue de jovens e crianças, invocando temores profundos relacionados à proteção da prole e à preservação da linhagem. Sua natureza destrutiva estava associada às doenças que causavam morte, aos riscos durante a gestação e na infância. Ela era descrita como uma criatura de aparência animalesca com dentes afiados e garras e fazia parte de um círculo de entidades temidas pelos antigos mesopotâmicos e sua presença nos ritos era na condição de contraparte da bondosa Pazuzu, a quem as pessoas recorriam em busca de proteção. Amuletos consagrados à Pazuzu eram utilizados como defesa contra a vampira.

Empusa (Mitologia Grega)

A obscura filha de Hécate, a deusa da bruxaria e da noite, assumia a forma de uma mulher bonita para seduzir os homens e depois revelar sua real natureza e aparência monstruosa no momento de sugar o sangue de suas veias. Sua estranha figura era composta por um pé de bronze e outro de um burro.

Camazotz (Mitologia Maia)

O “Morcego da Morte”, significado literal de seu nome, tinha corpo humano com cabeça de morcego e agia à noite, quando saía do submundo. Sua presença em narrativas mitológicas era frequente, apresentado como um matador impiedoso e sedento pelo sangue que consumia com voracidade. Nas selvas mesoamericanas fartamente habitadas por morcegos seria inevitável que estes animais noturnos não fossem associados a alguma entidade sobrenatural sombria e o deus morcego acabou também presente em outras culturas da região com algumas variações.

Jiangshi (Folclore Chinês)

Ser dotado de características de duas categorias de monstruosidades famosas: zumbi e vampiro. Descrito como uma criatura pálida e rígida, tem uma mobilidade peculiar porque se desloca aos saltos com os braços estendidos para frente. Um Jiangshi pode surgir quando a alma de uma pessoa falecida não consegue se separar do corpo, então a entidade morta-viva passa a saltar em busca de vítimas, a quem suga o “Qi” (energia da vida) em vez de sangue. Para proteção contra um Jiangshi são utilizados amuletos especiais e rituais específicos e para evitar a ocorrência de tais criaturas é importante bastante atenção aos cuidados necessários durante as providências funerárias, pois um corpo sepultado com desleixo poderá ser um vampiro de força vital.

Strigoi (Folclore Romeno)

A Romênia é o berço de Drácula, o vampiro mais famoso do mundo, mas um Strigoi não é menos assustador. É descrito como um morto-vivo ou como um espírito maligno que sai da tumba na calada da noite para sugar o sangue das vítimas infelizes. Dotado de grande capacidade de ocultação, um Strigoi pode ficar invisível e assumir a forma de animais, disfarçando sua inconfundível aparência cadavérica. Ele tem sua variação Strigoi viu (vivo) ou Strigoi mort (morto), sendo o primeiro uma entidade mágica de inclinações maléficas e o segundo mais próximo ao entendimento comum de vampiro.

Penanggalan e Manananggal (Folclore Malaio e Filipino)

Uma forma particularmente estranha que tinha a aparência feminina e uma capacidade perturbadora de fazer com que a cabeça se despendesse do corpo e saísse flutuando pelos ares com os órgãos e entranhas pendentes. Esta horrenda cabeça voadora com cabelos escuros, olhos e dentição assustadoras atacava preferencialmente mulheres grávidas usando os dentes, fixando-se nas vítimas numa mordida fatal sugando sangue e as energias vitais, além de comer os fetos. Muitas vezes associavam a Penanggalan ou a Manananggal a feiticeiras ou a mulheres que foram amaldiçoadas e que passavam a sofrer esta transformação à noite. 

Adze (Folclore Ewe)

Os Ewe, do sudeste de Gana e no sul do Togo, na África Ocidental, tinham verdadeiro pavor da entidade originalmente invisível que se transformava em um morcego para interagir com o mundo físico. O ser se alimentava de sangue das vítimas, atacadas durante o sono. Depois de ser sugada por Adze a pessoa ficava seriamente doente, podendo morrer em função da fragilidade de sua condição. Feiticeiros malfeitores podiam invocar Adze e direcionar a ação da entidade para prejudicar alguém em particular, o que exigia proteção através de amuletos e rituais para que outras entidades impedissem o morcego.   

Lilith (Mitologia Judaica)

Apontada como a primeira esposa de Adão e que recusou a submissão, sendo expulsa (ou fugiu) do Jardim do Éden. Acabou sendo associada a demônios e ao mal e durante a Idade Média recebeu uma reputação de comportamentos noturnos predatórios. Embora não seja estritamente uma vampira, Lilith tem sido associada a esta categoria monstruosa por atacar crianças e homens, consumindo seu sangue ou sua vida, comportamento similar ao modo de um vampiro.


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