Ramavo ou Rabodoandrianampoinimerina, mais conhecida como Ranavalona I, foi rainha regente do Reino Merina, em Madagascar, de 1828 a 1861, após ter sido rainha consorte de seu marido, Radama I, de 1810 até ficar viúva em 1828. Há suspeitas de que ela tenha envenenado o rei para assumir o trono com total controle do poder. Ranavalona foi tachada de louca e cruel, recebendo até o apelido de “Calígula Feminina”.
Suas origens são incertas, e nem mesmo o ano de seu nascimento é conhecido. Supõe-se que ela tenha sido plebeia, mas adotada pela família real como agradecimento pela lealdade de seu pai biológico, que protegeu o rei de um complô. O rei Andrianampoinimerina assegurou seu casamento com seu herdeiro, o príncipe Radama, abrindo caminho para Ranavalona assumir o comando do povo. O casamento com Radama I, no entanto, não era marcado por afeto, e o rei mantinha relações mais próximas com outras esposas. Ranavalona, indiferente aos laços conjugais, preferiu estabelecer boas relações nos bastidores do poder, fortalecendo o apoio de setores tradicionais da elite Merina contrários às políticas ocidentalizantes do marido, que havia selado acordos com britânicos e franceses e permitido a atuação livre de missionários cristãos no reino.
Após a morte de Radama I, Ranavalona resolveu lutar para garantir a sucessão em seu nome, pois o rei não deixou herdeiros. Ela neutralizou as pretensões do sobrinho do rei, o príncipe Rakotobe, e assumiu o trono apoiada pelos tradicionalistas e lideranças militares, incluindo o general Adriamihaja, seu amante e posterior ministro. Sua coroação seguiu rituais antigos, incluindo ser banhada no sangue de um boi. Seu reinado começou com perseguições e execuções de aliados do ex-marido. Membros da família real, como a cunhada e mãe de Rakatobe (também assassinado), foram condenados à morte por inanição em calabouços, seguindo o costume de não derramar sangue real. Ranavalona encerrou a influência europeia, expulsando estrangeiros e tratando os simpatizantes como traidores. Ela expropriou bens europeus, fechou escolas e igrejas cristãs, e reprimiu duramente os cristãos. Franceses e ingleses tentaram oposição sem sucesso. Eles montaram uma força para invadir a ilha, mas foram derrotados. Os prisioneiros capturados pelas tropas de Ranavalona foram decapitados, e suas cabeças, empaladas em estacas, expostas numa praia.
A legislação moderna foi substituída por normas tribais, incluindo julgamentos por “provação”, onde o acusado ingeria uma substância e era considerado inocente se não vomitasse. O sistema de punições incluía execuções brutais, como submersão água ou óleo fervente, fogueiras, enterros vivos, e a pena de morte até para delitos leves.
Ranavalona impulsionou manufaturas e obras públicas, transformou Madagascar em grande produtora de armas de fogo, mas restabeleceu a escravidão como fonte de lucro. Ela obteve o feito de ampliar a riqueza do reino, mas reduziu sua população pela metade.
Ranavalona morreu dormindo, sendo sucedida por Rakoto (Radama II), seu filho com Adriamihaja, a quem ela mandou executar por traição. A rainha sanguinária justificava suas ações extremas como forma de preservar as tradições e a integridade do Reino Merina.


[…] O reinado de sangue de Ranavalona I em Madagascar […]
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