O enigma dos Cwezi: Divindades e poderes ocultos no misterioso Império de Kitara

(Representação visual gerada pela IA Leonardo)

No antigo e duradouro Império de Kitara, cujas origens remontam a cerca de 10.000 a.C. na região dos Grandes Lagos da África Oriental, atualmente ocupada por Tanzânia e Uganda, habitaram diferentes povos, alguns dos quais são envoltos em mistérios.

É possível que Kitara tivesse uma estrutura política baseada em clãs, liderados por monarcas conhecidos como omukama. Contudo, a existência histórica de Kitara é contestada por alguns acadêmicos, que argumentam que as narrativas sobre o império foram criadas ou reimaginadas por líderes políticos posteriores com o objetivo de legitimar seus próprios poderes.

Em Kitara, surgiu a religião Cwezi-kubandwa, que fornecia parte do suporte ideológico aos regimes monárquicos da região, embora não fosse a crença dominante.

Essa religião tinha um sistema de crenças teológico centrado na figura mítica da dinastia Cwezi, composta por ancestrais divinizados. Envolveu a veneração desses deuses ancestrais e o culto em diversos templos e santuários situados nas colinas. A religião Cwezi-kubandwa caracterizava-se também pela presença de médiuns, ou embandwa, que atuavam como intermediários entre os fiéis e os deuses Cwezi. Esses médiuns interpretavam a vontade dos Cwezi e intercediam em nome do povo em momentos de doença ou angústia. Acreditava-se que os deuses Cwezi possuíam poderes específicos, como o controle sobre a chuva, a caça ou a fertilidade humana, e tinham interesses particulares no destino de clãs específicos. Além disso, a religião oferecia a seus seguidores proteção contra as estruturas patriarcais políticas e domésticas, havendo uma participação proeminente de mulheres na liderança, adesão e práticas religiosas.

Os primeiros governantes Cwezi eram considerados dotados de corpos sagrados e de constituição distinta das pessoas comuns. Segundo a crença, eles vinham do céu e, ao descerem à Terra, mostravam-se muito mais altos que os homens normais, com formatos de cabeça distintos e poderes sobrenaturais, como levitação, teletransporte, telecinese e clarividência. Depois de transmitirem seu conhecimento, esses seres regressavam ao céu ou ao mundo dos espíritos, deixando descendentes nascidos de mulheres mortais, que fundaram novas dinastias. Em contraste com essas narrativas fantásticas, alguns pesquisadores sugerem que esse grupo proeminente pode ter migrado para a região a partir de sociedades nilóticas mais complexas e avançadas, como os reinos de Kush, Núbia e até mesmo do Egito, por volta de 500 d.C.

Entre os praticantes da religião Cwezi-kubandwa, havia um relativo equilíbrio entre homens e mulheres, com as práticas religiosas oferecendo um espaço significativo para a presença feminina. As mulheres desempenhavam um papel importante, sendo frequentemente escolhidas como médiuns e tendo acesso a prestígio e poder, posições geralmente inacessíveis na sociedade kitariana em geral. No entanto, há também evidências de exploração sexual e subordinação das mulheres dentro da religião, incluindo relatos de rituais que envolviam relações sexuais forçadas com os médiuns masculinos. A atividade mediúnica era vital para a manutenção das crenças e práticas religiosas, bem como para a intercessão com os deuses Cwezi em tempos de adversidade.

Embora persistam resquícios da religião Cwezi-kubandwa em tribos ruandesas e burundesas, foram as divergências internas, a dominância de outros povos, juntamente com a degradação dos costumes tradicionais, que levaram à decadência dos clãs Cwezi, que não deixaram que não deixaram um legado de registros escritos ou um significativo acervo de artefatos contemporâneos.

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