Dançarinas Celestiais: A magia das Apsaras na mitologia hindu

(Representação visual gerada pela IA Leonardo)

Apsaras são seres mitológicos encontrados principalmente nas tradições do hinduísmo. São espíritos femininos das águas frequentemente descritos como dançarinas divinas que residem no paraíso. Elas costumam estar associadas aos Gandharvas, seres celestiais da música que proporcionam entretenimento paro o deus Indra com canções e preparando a bebida sagrada consumida pelas divindades. Elas também estão presentes na tradição budista, retratadas como dançarinas celestiais que celebram a alegria e a beleza.

A palavra “Apsara” em sânscrito pode ser traduzida como “a que se move nas águas” descritas como entidades mágicas, belas e sensuais. Elas serviram de fonte de inspiração para a dança tradicional na Índia, com dançarinas que realizam movimentos graciosos e expressões faciais que remetem às Apsaras.

Elas são frequentemente divididas entre as Laukika Apsaras (mundanas), tipos mais comuns e que são acompanhantes ou amantes dos Gandharvas, enquanto as Daivika Apsaras (divinas) são aquelas que animam os próprios deuses.

Algumas delas são personagens importantes de narrativas lendárias. Tilottama foi criada pelo deus Brahma e é considerada a principal delas, sendo famosa por ter causado ciúmes entre os demônios Sunda e Upasunda, levando-os a se destruírem mutuamente. Menaka é conhecida por seduzir o sábio humano Vishwamitra, com quem teve uma filha a partir de uma fecundação imaculada. Urvashi é conhecida por sua extraordinária beleza e habilidades de dança, além de ter se relacionado com o rei Pururavas, também gerando filhos mesmo mantendo sua virgindade. Outras destacadas Apsaras são Rambha, Ghritachi, Mishrakesi, Vapu, Viprachitti, Purvachitti, Sahajanya, Karnika, Punjikasthala, Viswachi, Rithisthala, Umlocha, Pramlocha, Swayamprabha, Janapadi, e Adrika.

O fato de Apsaras serem citadas como mães imaculadas é efeito da noção de que não sendo meramente humanas, as leis da natureza não se aplicam a elas. Apesar das descrições sobre beleza, sensualidade, práticas de sedução e da representação visual nas artes que retratam suas figuras como mulheres seminuas, elas também eram símbolos de pureza. As crianças concebidas por elas eram abandonadas tanto pelo pai quanto pela Apsara e acabavam sendo criadas por pais adotivos.

Quando as Apsaras seduziam humanos o relacionamento era tratado como parte de uma missão ou tarefa dada a elas pelos deuses. A sedução não é uma característica intrínseca das Apsaras, mas sim uma ferramenta que elas usam para cumprir certos objetivos, sendo o principal deles o ato de provocar uma tentação aos testar a devoção, pureza ou concentração de sábios e ascetas, que são desafiados a manter seu voto de celibato ou meditação diante do apelo da beleza e encanto das Apsaras.

A tradição das Apsaras ocorreu em vários lugares, incluindo Índia, Camboja, Indonésia, Malásia, China e Vietnã. Na Índia, são mencionadas em mitologias e são frequentemente representadas em imagens e esculturas nos templos. No Camboja, eles podem ser encontradas nos baixos-relevos de pedra dos templos de Angkor. Na Indonésia e na Malásia, elas são chamadas de “bidadari” e são consideradas seres sobrenaturais semelhantes às fadas. Na China, aparecem retratadas em pinturas e esculturas em alguns espaços budistas.

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