Aicha Kandicha (ou Aisha Qandicha ou ainda Ayša Qəndiša) é uma entidade da categoria dos gênios que faz parte do folclore marroquino. Acredita-se que ela tenha sido uma pessoa real antes de se transformar em um ser fantasmagórico cercado de mistérios e terror.
A lenda diz que ela vive escondida sob a água, de onde sai em busca de vítimas. Sua beleza é o principal atrativo na abordagem que emprega para atrair homens. Uma vez encantados por sua sedução, as vítimas perdem o bom senso e são levadas para um local onde Aicha Kandicha finalmente executa seu propósito assassino. Ela suga o sangue dos homens e consome suas carnes após submeter os desafortunados a momentos de tortura. Depois de satisfeita, a entidade vai embora sem deixar qualquer vestígio. Por se esconder no fundo de um rio ou lago, dizem ainda que a criatura pode afogar suas presas. Também associam, como resultado de sua ação, o enlouquecimento repentino de homens que, tomados por essa condição, acabam morrendo de diversas maneiras. Outra consequência de sua interferência no mundo dos vivos é apontada como a ocorrência de abortos.
As origens da entidade são imprecisas. Pode estar associada a antigas lendas dos tempos da colonização fenícia no norte da África, mas há também quem acredite que ela tenha sido uma pessoa real antes de assumir a forma de uma entidade sinistra. Supõe-se que teria sido uma nobre na época em que os portugueses exploravam a região, no século 16. Dizem que, depois de ter seu marido assassinado por reagir aos invasores, ela passou a atuar na resistência contra estes e que, já naquela ocasião, participava de missões nas quais usava a sedução para atrair os forasteiros para emboscadas.
Ao longo da história e em diversas culturas, observa-se uma recorrência intrigante de lendas e narrativas sobrenaturais que pintam figuras femininas, especialmente as dotadas de extraordinária beleza e poder de sedução, como entidades assombradas ou malévolas que atormentam e causam a ruína de homens. Esta representação pode ser interpretada de várias maneiras: como uma projeção dos medos e ansiedades sociais relacionados ao poder feminino e à sexualidade, uma advertência contra os perigos da tentação ou, em um nível mais profundo, um reflexo do conflito eterno entre desejo e moralidade.


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