Ninjas, guerreiros das sombras

(Representação visual gerada pela IA Leonardo)

Os famosos e misteriosos guerreiros habilidosos e mortais que a cultura pop adotou em diversas produções possuem origens verdadeiras que remontam ao Japão feudal. Mais adequadamente denominados como shinobis, esses guerreiros recebiam o treinamento ninjútsu, arte que consagrava a atuação furtiva e silenciosa para realizar emboscadas contra seus alvos. Após se qualificar como um shinobi, o indivíduo iria desempenhar missões de espionagem, sabotagem, raptos, assassinatos sob encomenda e missões que os samurais não poderiam realizar porque maculavam a reputação e os rigores éticos da categoria de guerreiros de elite. Então, os ninjas eram aqueles mercenários a quem se recorria para realizar o “trabalho sujo”.

Apesar de não ser uma regra, os ninjas normalmente eram recrutados – assim como os habituais soldados de infantaria – entre as camadas mais pobres, diferentemente da tradição até familiar da composição dos samurais, que se instituíram até com status de uma classe social. Os ninjas eram uma força necessária no contexto dos conflitos de um Japão dividido e em constantes disputas internas, pois poderiam ser empregados como agentes infiltrados e em estratégias de ataque que exigiam suas habilidades específicas. Além do mais, por não seguirem o mesmo código que regia os samurais, o Bushido, os ninjas tinham um tipo de liberdade de atuação que não entrava em conflito com nenhuma doutrina a qual estavam juramentados e numa guerra não era possível desperdiçar as possibilidades.

As origens das técnicas e habilidades iniciais dos ninjas podem ser identificadas a partir das migrações ou contatos com guerreiros chineses a partir do colapso da Dinastia Tango, a partir de 907, embora existam registros de guerreiros japoneses que realizavam serviços equivalentes mesmo no século VI, porém o papel das escolas ninja a partir do século XIII foi fundamental para a evolução do ninjútsu. Um caso reconhecido foi a formação da escola instituída pelo samurai decadente que renunciou ao Bushido depois de uma derrota chamado Daisuke Togakure ao lado de Kain Doshi, um monge chinês habilitado em artes marciais. No século XV os clãs Iga e Koga eram referências no emprego do ninjútsu e reuniam um significativo efetivo de shinobis que eram amplamente contratados para diversas missões. Prevalecia o Período Sengoku, época em que o Japão estava envolvido em uma intensa guerra civil entre vários clãs poderosos, então não faltava emprego para um ninja e os Iga e Koga tinham homens espalhados em todos os lados em conflito. A preocupação com os ninjas era questão estratégica e o poderoso daimyo Oda Nobunaga, que já havia incorporado os Koga, resolveu atacar diretamente um dos centros de treinamento dos guerreiros das sombras, determinando uma investida contra o castelo Iga em 1581, conseguindo eliminar o clã.

Com o fim do tumultuado período de guerras internas, os ninjas passaram a existir em menor número no desempenho de suas habituais funções de mercenários em missões secretas ou como guarda-costas, mas com a manutenção da estabilidade interna esta categoria de combatentes e sua arte foram desaparecendo progressivamente.

Apesar da decadência dos ninjas no âmbito da ação, eles viraram figuras presentes nas produções artísticas e de entretenimento de ação no século XX, aparecendo em filmes, videogames, HQs e virando referências na cultura pop.     

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