D. Pedro IV de Portugal, o ex-imperador do Brasil

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Nascido em 12 de outubro de 1798, Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim era filho do príncipe português João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança e da princesa espanhola Carlota Joaquina Teresa Marcos Caetana Coleta Francisca de Sales Rafaela Vicenta Ferrer Joana Nepomucena Fernanda Josefa Luísa Singorosa Antônia Francisca Bibiana Maria Casilda Rita Januária e Pasquala. Chegou ao Brasil aos 9 anos de idade quando seus pais e boa parte da corte portuguesa fugiram das tropas de Napoleão, tendo continuado por aqui sua formação como membro da realeza e integrante da linha sucessória do então ameaçado trono de Portugal. Foi um jovem inquieto, não se dava bem com a mãe, não gostava de estudar, descobriu no Brasil que gostava de farra e virou um mulherengo incorrigível. Casou aos 19 anos com a princesa austríaca Leopoldine Caroline Josepha von Habsburg-Lothringen, ou Dona Leopoldina, com quem teve sete filhos, mas não foi nada fiel e até fez com que sua mais conhecida amante, Domitila, passasse a viver no palácio e conferiu-lhe o título de Marquesa de Santos quando virou imperador.

Quando o pai, coroado rei de Portugal estando no Brasil, precisou ir embora, o príncipe Pedro estava destinado a selar uma inevitável separação entre sua terra natal e a terra que adotou, pois as circunstâncias no Brasil já indicavam que era insustentável manter o vínculo colonial por muito tempo. Em 7 de setembro de 1822, aos quase 24 anos de idade, deu o famigerado “Grito do Ipiranga” e depois foi coroado monarca do Brasil. Seu reinado brasileiro durou só até sua popularidade ser arruinada e sua posição estar em risco. A morte de Leopoldina e os escândalos envolvendo o caso com Domitila somaram-se a fatores políticos no Brasil e em Portugal. Depois da morte de D. João VI em 1826, o monarca do Brasil abdicou da sucessão portuguesa com a condição de garantir o trono para sua filha mais velha, a menina Maria da Glória, mas sua ausência da Europa facilitou as condições para que seu irmão descumprisse os acordos definidos e tentasse usurpar o trono em seu favor com o apoio de Carlota Joaquina e de defensores do absolutismo. O problema em Portugal ocupou D. Pedro I a tal ponto que virou mais um ponto crítico de seu reinado no Brasil, então ele abdicou de seu trono tropical em nome de seu filho Pedro e foi para Portugal ao lado de sua segunda esposa, a milanesa Amélie Auguste Eugénie Napoléone de Beauharnais, ou Dona Amélia de Leuchtenberg.  

Em Portugal, aquele que foi imperador de inclinações absolutistas no Brasil foi defender ideais liberais e buscar derrotar a facção liderada pelo irmão. Foi uma guerra entre príncipes portugueses pelo trono e pelo caminho que seria trilhado pelo reino. D. Pedro conseguiu imprimir sua liderança carismática diante das tropas sob seu comando durante a guerra civil portuguesa, compartilhando com os soldados os momentos mais tensos no campo de batalha e executando serviços corriqueiros na preparação das ações de guerra, como cavar trincheiras ou cuidar de feridos. Mesmo depois de sofrer um cerco duradouro e tendo um contingente inferior de combatentes, Pedro conseguiu tomar Lisboa e destituir o irmão usurpador, definindo seu triunfo em abril de 1834 como D. Pedro IV. Ele conseguiu instituir medidas liberais em Portugal, reforçando a separação entre o Estado e a Igreja Católica e fortalecendo a separação dos poderes institucionais. Chegou até a fazer um apelo explícito pelo fim da escravidão no Brasil. Depois da guerra civil seu reinado foi curto, pois sua saúde já se encontrava bastante fragilizada pela tuberculose, que contraiu durante sua campanha militar.

Morreu no mesmo quanto em que nasceu no palácio de Queluz em 24 de setembro de 1834, aos 35 anos de idade. Foi sucedido em Portugal por sua filha, D. Maria II.


Livro: Vida de D. Pedro IV, vigésimo-oitavo Rei de Portural e primeiro Imperador do Brasil (Amaso. J. Luiz de Souza Monteiro, Lisboa 1838)

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