Nascido na capitania do Rio Grande (no atual Rio Grande do Norte) em data indefinida provavelmente entre 1600 e 1601, Poti ou Potiguaçu foi uma liderança respeitada entre os índios e um comandante importante para os luso-espanhóis durante a União Ibérica, período no qual as coroas de Portugal e Espanha estavam reunidas, e na guerra contra os holandeses no nordeste brasileiro.
Na juventude foi educado por jesuítas na língua e nos costumes dos portugueses e nesta formação destacou-se por sua grande capacidade de aprendizado e perfeccionismo. Completando sua instrução europeia, foi convertido ao cristianismo e batizado como católico com o nome Antônio Filipe Camarão, homenageando Santo Antônio, o rei Filipe II (que reinou sobre Portugal e Espanha de 1598 até 1621) e incorporando o sobrenome referente ao seu nome indígena (Poti no idioma dos nativos significava “camarão”). Casou-se com a índia também convertida Clara Camarão.
Os colonizadores identificaram em Camarão a capacidade de conduzir seus aliados indígenas nas campanhas militares contra as ameaças de outros invasores vindos da Europa, designando-o como oficial comandante. Ele participou de campanhas vitoriosas ao lado das forças luso-espanholas contra franceses no Maranhão e teve bastante presença e destaque durante os enfrentamentos aos holandeses. Quando a Companhia das Índias Ocidentais, organização comercial e militar holandesa, desembarcou na Bahia em 1624 obrigou a resistência luso-espanhola realizar ações de combate para afugentar esta nova leva de invasões e Camarão participou dos combates comandando suas tropas e guiando os combatentes indígenas. Os holandeses acabaram se retirando, mas provisoriamente. Em 1630 o alvo do ataque holandês foi a costa de Pernambuco e mais uma vez Filipe Camarão se apresentou para a luta, sendo destacado como capitão dos indígenas na defesa de Olinda e Recife para atuar nas táticas de escaramuça que ele conhecia tão bem.
Persistiu na luta contra os holandeses mesmo depois que os oponentes conquistaram significativo território e posições, participando de diversas batalhas inclusive contra o afamado Maurício de Nassau. O tempo de hegemonia dos holandeses foi fortemente desafiado durante a Insurreição Pernambucana, após a saída de Nassau do governo das posses da Companhia das Índias, e Camarão mais uma vez se dispôs para a atuar na guerra. A essas alturas já era um comandante experiente, conhecedor de táticas e do território e atuou em cenários memoráveis da guerra como a Primeira Batalha dos Guararapes (1648), vencida pela resistência luso-brasileira. Apesar de sair-se vitorioso na batalha, o comandante Filipe Camarão foi derrotado um mês depois pelos efeitos infecciosos de um ferimento obtido em ação. A bravura de Dom Filipe, o Capitão-Mor dos Índios, foi reconhecida por honrarias. Recebeu condecoração conferida pelo rei Filipe III, da União Ibérica, em 1635, e o rei de Portugal, D. João IV, fez dele cavaleiro da distinta Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo com direito título e brasão em 1641. O militar indígena faz parte do Panteão da Pátria e Liberdade, inscrito no “Livro de Aço” como herói nacional (assim como sua esposa Clara Camarão, que foi sua companheira também nos combates e comandou pelotões de mulheres).


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