Laroye, Exu!

(Representação visual gerada pela IA Leonardo)

Um dos mais populares dos orixás, Exu (Èṣù) está associado à comunicação e à linguagem e corresponde ao ente que proporciona o contato entre os homens e as demais divindades. Este guardião das comunicações é geralmente o primeiro a ser saudado nas orações e rituais para permitir e estabelecer a “ponte” que conecta o mundo dos vivos ao plano dos seres espirituais e divinos. Sua atuação e representação são complexas, pois Exu se apresenta através de diversas identidades e manifestações seja nos cultos ancestrais na África como na Umbanda e também no Candomblé.

Por sua atuação que proporciona movimentação entre as ações mundanas e sobrenaturais, Exu também foi simbolicamente reconhecido inicialmente na África pelos iorubás (provenientes das terras dos atuais Nigéria, Togo e Benin) como “Senhor do Mercado”, pois sua atuação envolve trocas, compensações e circulação, atividades que estes povos observavam como também presentes nas transações habituais que as pessoas celebravam nas práticas comerciais. Exu também está representado nas estradas e nos cruzamentos entre os caminhos, nas encruzilhadas ou até em cemitérios onde são depositadas oferendas por sua interseção.

Sua condição de promotor da conexão entre os mundos faz de Exu uma figura ambivalente, nem bom nem mau, mas a divindade também tem sua “personalidade”, sendo astucioso e zombeteiro, afinal, trata-se de entidade assemelhada aos humanos. Seus adeptos podem recorrer ao seu apoio para a atendimento de necessidades e superação de obstáculos e conforme a variação do culto, facetas de Exu e outras entidades associadas são invocadas para este fim, mas sem esquecer das contrapartidas representadas pelas oferendas, pois Exu pode ser vingativo.

Em qualquer de suas variedades e interpretações, Exu não corresponde ao Diabo. Primeiramente porque no universo da origem de sua concepção como entidade mitológica a figura de Satanás é inexistente. Além disso, a vinculação foi inicialmente atribuída pelos colonizadores através da atuação da Igreja Católica para estigmatizar os cultos africanos, sendo o ente do panteão iorubá que mais facilmente poderia ser descaracterizado por sua condição de intermediação entre os homens e um plano existencial desconhecido e por ter um comportamento “indecente”. Atualmente as igrejas neopentecostais reforçam os ataques por meio da insistência na vinculação descaracterizada e desinformada entre Exu e Satanás. Mesmo na linguagem a errônea associação persiste, pois frequentemente tem-se a palavra “Exu” como um dos nomes atribuídos à figura maligna oposta à divindade cristã.  

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