Wu Zetian (624-705) pode não ter sido a única mulher a reger a China Imperial, porém as demais ocupantes do trono chegaram ao comando na condição de consortes ou regentes em nome de seus filhos, porém nenhuma outra conseguiu ostentar a legítima condição de titular tal qual a Imperatriz Wu.
Por ocasião do predomínio da Dinastia Tang e com uma China unificada, emergiu um período de prosperidade muito intensa que também promoveu maior intercâmbio cultural e diplomático e liberdade para as mulheres. Neste contexto promissor, o negociante e estrategista militar Wu Shihuo, pai de Wuhou, a futura imperatriz, tinha bom trânsito no centro do poder e boas relações com o imperador Li Yuan, o que favoreceu o ingresso da menina Wuhou na corte e fez dela, aos 14 anos, uma das concubinas de Taizong, o novo imperador chinês. Wuhou acompanhou de perto a rotina do governo, pois suas habilidades ajudam a fazer dela uma espécie de assistente do imperador, porém com a morte de Taizong a jovem viúva foi destinada ao confinamento em um templo budista, mas sua aproximação com Gaozong, o herdeiro do marido e imperador sucessor, reverteu sua situação e ela foi recebida de volta na corte como sua concubina, embora o imperador já tivesse sua imperatriz e outras mulheres que também compartilhavam a condição de concubinato.
A imperatriz Wang exercia certa influência depois que Gaozong ficou fragilizado e perdeu a visão em decorrência de um AVC, mas não conseguiu engravidar e garantir um herdeiro legítimo para a sucessão imperial e Wuhou resolveu tirar proveito da situação, principalmente por ter gerado quatro filhos do imperador. Conta-se que Wuhou matou um de seus próprios filhos ainda bebê para acusar Wang e com isso conseguiu se livrar da esposa do imperador e conquistou sua posição como imperatriz. Ela tratou de afastar do convívio as demais combinas e também a perseguir quem manifestasse ou que fosse suspeito de lhe fazer oposição. A imperatriz estava na prática comandando as ações de governo, designando pessoas para o exercício de suas determinações e até conquistando êxitos militares, a exemplo da vitória e anexação da Coreia. Após 23 anos governando no lugar do marido, Wuhou ficou finalmente viúva e com isso seu filho Zhongzong foi coroado imperador, mas a imperatriz viúva não estava disposta a ceder sequer para o próprio filho. Os anos de exercício do poder consolidaram sua reputação de firmeza e construíram laços políticos firmes o bastante para facilitarem seu ato de depor e exilar o filho mais velho e retornar ao governo através da coroação de seu outro filho Ruizong como imperador de fachada. A regente conseguiu sufocar as reações contrárias e movimentos rebeldes e sentiu que estava confortavelmente consolidada no pode ao ponto de assumir em seu próprio nome o comando do império, então conferiu a si títulos e proclamou-se como imperatriz Wu Zetian, iniciando sua própria dinastia.
No decorrer da mais 15 anos de governo, Wu Zetian fortaleceu as instituições estatais, criou regras que exigiam qualificação e instrução para o exercício de funções públicas, substituindo critérios de nascimento e favores entre membros da aristocracia e até testes foram instituídos para designar pessoas para os altos cargos. Ela garantiu a segurança das fronteiras e acordos diplomáticos que reduziram os impactos das constantes guerras territoriais e realizou importantes regulações para aprimorar a economia e arrecadação de impostos. Como budista, ela patrocinou a construção de opulentos templos e até chegou a anunciar que era um buda renascido. Culturalmente promoveu a literatura e bancou sociedades de escritores e emprenhou-se na promoção de educação para mulheres.
Com o avançar da idade, convocou o filho Zhongzong para nomeá-lo novamente herdeiro do trono, sucessão que acabou sendo consolidada porque em fevereiro de 705 a velha imperatriz foi deposta por ministros apoiados por nobres que coroaram Zhongzong. Wu Zetian passou seus últimos meses de vida em um palácio e morreu doente no final do mesmo ano.


[…] A imperatriz chinesa que destronou os próprios filhos para permanecer no poder […]