Manuela Sáenz (1797-1856) teve um papel destacado nas lutas pela independência na América do Sul, mas seu nome e seus feitos não receberam o reconhecimento merecido e esta brava mulher e liderança política é muito pouco conhecida e não recebe o destaque histórico que lhe é devido. Mulheres sul-americanas tinham papéis muito restritos no século 19, pois raramente recebiam uma educação avançada porque eram destinadas a levar uma vida de atividades domésticas em sociedades patriarcais. Manuela Sáenz percorreu um caminho diferente. Nascida em Quito, no Equador, filha ilegítima do nobre espanhol Simón Sáenz Vergara e da mestiça crioula María Joaquina de Aispuru, a jovem Manuela ingressou no convento para receber educação após a prematura morte de sua mãe. Ela demonstrou logo um intenso interesse por questões políticas e aderiu aos ideais separatistas que clamavam pela independência do domínio espanhol.
Aos 20 anos casou-se contra sua vontade com o comerciante inglês James Thorne e foi com o marido para Lima, no Peru, mas não se desfez da vontade de atuar politicamente pela independência e passou a colaborar inicialmente em segredo com grupos de ativistas, mas seu envolvimento com a causa da libertação não podia ser contido pelo anonimato e pela discrição, então ela logo passou a ater também uma participação ativa no movimento.
Em 1822, largou o marido e voltou para Quito, onde conheceu o líder revolucionário Simón Bolívar. Tornaram-se amantes e parceiros de lutas revolucionárias e Manuela atuou como figura destacada no processo de emancipação do Equador. Voltou para Lima e lá atuou nos conflitos rebeldes ao lado de Antonio José de Sucre, o que lhe valeu a designação como integrante do comando do Exército de Libertação, atuando em funções administrativas e organizacionais do movimento emancipatório que visava a promoção da libertação colonial da América do Sul. Atuando em campo nas batalhas libertadoras ela recebeu a patente de coronel.
Certamente a figura da mulher líder revolucionária que andava vestida de farda militar feito um homem já era conhecida pelas forças que apoiavam os interesses colonialistas e Manuela acabou sendo obrigada a fugir do Peru, indo parar na Colômbia em 1828 para trabalhar com Bolívar, que exercia o comando do país. Nesta fase ela chegou a evitar atentados contra o libertador e exerceu enorme influência sobre os assuntos de Estado. Ela permaneceu na luta revolucionária na Colômbia mesmo depois da renúncia de Bolívar e do abalo que o movimento sofreu na ocasião, sobretudo com a morte de seu grande líder em 1830.
A vida de uma mulher revolucionária não era fácil. Além de lidar com questões políticas, estratégicas e militares, Manuela enfrentava também preconceitos, calúnias e difamações. Depois da morte de Bolívar ela passou a ser de forma cada vez mais firme de uma bem orquestrada perseguição. Foi expulsa da Colômbia, passou por um tempo de exílio na Jamaica, mas resolveu voltar para sua terra natal, porém sua fama de rebelde causava medo e desconfiança nas autoridades e por isso ela era sempre vigiada como uma figura perigosa e teve negada a permissão para vivem em seu próprio país. Se instalou em Paita, no norte do Peru, onde precisou se virar como comerciante de tabaco e a obter ajuda no sustento a partir das artes que aprendeu no convento como bordados e produção de doces caseiros. A sua militância rebelde agora consistia em atuar voluntariamente na alfabetização de crianças pobres e na elaboração de escritos políticos em francês e inglês que eram publicados na imprensa estrangeira. A destemida e atrevida mulher combatente e revolucionária que participou dos processos de independência de 3 diferentes países morreu em 1856 aos 58 anos de idade, seriamente doente numa epidemia de difteria. Foi sepultada numa vala comum ao lado de outras vítimas da moléstia. Um punhado de terra do local de sua sepultura virou seus restos simbólicos que foram levados para Caracas, Venezuela, para ser colocado num sarcófago ao lado de Simón Bolívar.


[…] tido filhos, Bolívar teve várias relações amorosas conhecidas ao longo de sua vida, incluindo Manuela Sáenz, uma destacada liderança e parceira nas lutas e administração do processo […]