Enrique IV, O Impotente

(Representação visual gerada pela IA Midjourney)

Enrique IV foi rei de Castela de 1454 a 1474 e não era uma figura muito benquista. A própria elite castelhana o criticava porque era comum na esfera da nobreza o juízo de que o monarca era um governante de pouca iniciativa. Os nobres tinham mais poder e autoridade que o rei, impondo decisões que contribuíam para reduzir ainda mais sua autoridade e até a eliminar os impostos que pagavam. Enquanto o rei era expectador do próprio governo, nobres disputavam o poder entre eles e até mesmo impunham os caminhos da sucessão, chegando a determinar que sua filha Joana perdesse título de Princesa das Astúrias, não sendo assim herdeira do trono, impondo em seu lugar Afonso, irmão menor do rei. As disputas levaram a uma guerra civil que tumultuou ainda mais o governo enquanto nobres coroaram Afonso ignorando que o trono já estava ocupado. O jovem Afonso tinha apenas 14 anos quando foi coroado rei paralelo, mas acabou morrendo pouco depois vítima de uma peste ou de algum veneno, no entanto, os nobres insistiam que princesa Joana não seria sucessora, apelando então para Isabella, irmã de Enrique, como herdeira do trono. Interesses portugueses e franceses até tentaram garantir que Joana assumisse o trono quando Enrique morreu, mas no desfecho de tudo Isabel prevaleceu e veio a tornar-se uma das figuras mais relevantes da monarquia espanhola.

Além da fraqueza de Enrique como governante, outro aspecto que fragilizou sua imagem acabou lhe rendendo um título informal bastante popular: Enrique, o Impotente. Ele casou pela primeira vez com Branca II de Navarra antes de ascender ao trono, mas treze anos após o matrimônio ocorreu o cancelamento da união e representantes da Igreja Católica constataram que a esposa ainda era virgem, isto é, o casamento sequer chegou a ser consumado depois de tanto tempo. O próprio Enrique reconheceu que a falta do ato sexual com Branca se deveu a um problema de impotência resultante de uma maldição. Uma investigação mais minuciosa foi realizada por clérigos, que interrogaram prostitutas que frequentavam a corte e as moçoilas confirmaram que o rei “funcionava” corretamente, então, com a elucidação do estado de virilidade de Enrique, foi arranjado um novo acordo de casamento que também era uma aliança política internacional, dessa vez a noiva era a irmã do rei de Portugal. Sei anos depois, em 1461, enfim nasceu sua filha Joana, mas a paternidade foi logo alvo de contestações e praticamente ninguém duvidava que a menina era filha do nobre Beltrán de la Cueva e foi tratada como bastarda, sendo pejorativamente chamada de “la Beltraneja”. Esta hipótese foi reforçada quando a rainha teve mais dois filhos com o sobrinho de um bispo, o que também contribuía para aprofundar a frágil reputação de Enrique e fama de impotente. O rei desfez o segundo casamento, mas o estrago em sua imagem estava mais do que consumado e foi amplamente explorado em sua sucessão.

Enrique IV acabou sendo marcado pela história como um rei inepto na política, no sexo e na vida conjugal.  

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