Yanga e o quilombo que venceu a Espanha

Representação visual gerada pela IA Midjourney

Embora a escravidão de indígenas tenha sido predominante no México durante o domínio colonial espanhol, também houve um grande número de africanos escravizados na Nova Espanha. Veracruz, no Golfo do México, foi o principal porto de entrada para esses escravos, muitos dos quais foram trazidos para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar.

Entre os africanos embarcados no México estava Yanga (também conhecido como Gaspar Yanga), cuja procedência não é ainda suficientemente conhecida, especulando-se que nasceu em 1545 em uma família de linhagem nobre no Gabão. No Novo Mundo, Yanga acabou em um canavial da fazenda Nuestra Señora de la Concepción e que a partir de lá liderou em 1570 um movimento de resistência que promoveu a fuga de escravos da propriedade e a posterior fundação de uma comunidade que posteriormente passou a ser chamada San Lorenzo de los Negros, estabelecida na região montanhosa de Veracruz.

A comunidade de resistência imediatamente passou a atrair escravos fugitivos em busca de refúgio e foi tomando forma de uma sociedade organizada, dotada de produção agrícola, atividade comercial e governo próprio, inicialmente sob a condução de Yanga. A comunidade resistiu a tentativas de dominação por parte do vice-reinado espanhol até que em 1630 foi firmado o “Tratado de Córdoba”, que reconheceu a autonomia de San Lorenzo de los Negros, tornando-a o primeiro povoado africano livre nas Américas. Yanga recebeu o título de “Capitão Geral” e passou a ser reconhecido como o primeiro “libertador das Américas”.

Atualmente a cidade original de San Lorenzo de los Negros chama-se Yanga em honra do líder africano.

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