O português Diogo Álvares Correia (1475-1557) sobreviveu a um naufrágio em 1509 e foi parar entre os índios Tupinambá, na atual costa da Bahia. Os nativos lhe deram o nome Caramuru, que se refere ao peixe garoupa-verdadeira, espécie que era abundante nas proximidades dos corais da região. O homem logo se integrou à comunidade indígena e se casou com Paraguaçu (que provavelmente tinha outro nome, Guaibimpará), filha de Taparica, o chefe tribal. Caramuru acabou realizando um serviço de intermediação entre os exploradores portugueses e os indígenas, pois era conhecedor dos idiomas falados pelos dois povos, sendo beneficiado pelos serviços. Chegou a viajar com Paraguaçu para a Europa e na França ela foi batizada como Catherine du Brésil. Caramuru teve 4 filhas com Paraguaçu e mais 16 filhos com outras mulheres indígenas.


[…] Diogo Álvares Correia naufragou na costa baiana e escapou de ser comido por tupinambás canibais possivelmente por ter dado demonstração de bravura, o que lhe valeu o reconhecimento de seus quase algozes, que lhe chamaram de Caramuru, referência a um caramujo marinho ou moreia. Este intruso foi aos poucos sendo acolhido pelos indígenas e forjou relações importantes com os nativos. O forasteiro de terras muto distantes, do outro lado do oceano, atraiu a curiosidade de chefes tupinambás que fizeram ofertas irrecusáveis para o estranho: suas filhas por amizade. Mas sua escolhida como favorita, apesar de não ter sido única num cenário em que a poligamia era habitual, foi a bela Guaibimpará, que pela união passou a ser conhecida como Paraguaçu (“Água Grande”). […]