Cleópatra VII, a última faraó

(Representação visual gerada por IA)

Cleópatra VII Téa Filópator (Κλεοπᾰ́τρᾱ Θεά Φιλοπάτωρ, 69 aC – 30 aC) foi a última faraó do Egito. Ela se tornou rainha aos 18 anos após a morte de seu pai, Ptolomeu XII Auletes. Ela teve uma sólida formação intelectual, tinha domínio de diversos idiomas e era dotadas de grandes habilidades políticas e estratégicas, exercendo influência capaz de realizar importantes feitos públicos. Sua conflituosa trajetória política teve como marco a aliança firmada com o líder Romano Júlio Cesar, ocasião em que retomou o poder depois de ter sido destronada por seu irmão co-regente (e primeiro marido) Ptolomeu XIII Téo Filópator. A aliança política e militar com César também tornou-se relação amorosa, apesar de Cleópatra ter contraído matrimônio com seu outro irmão Ptolomeu IV Filópator. Da relação com César nasceu seu primeiro filho, Cesarion. Com a morte de César a posição de Cleópatra voltou a ser ameaçada, mas ela encontrou como aliado o general Marco Antônio, que foi fiel seguidor de César e também seu cunhado, pois era o segundo marido da irmã de César de César, Júlia. Marco Antônio era um dos governantes romanos, Cleópatra casou-se com ele e tiveram três filhos: os gêmeos Alexandre Hélio e Cleópatra Selene II, além de Ptolomeu Filadelfo. Este casamento piorou ainda mais as relações entre Marco Antônio e Otaviano, sobrinho e herdeiro familiar de César em Roma que era filho de Júlia, a irmã de César que foi abandonada por Marco Antônio. Mas além dessa trama de novela as relações entre os dois governantes romanos também era baseada em interesses por poder, controle das instituições e fontes de recursos econômicos, o que levou ambos a confrontos militares que culminaram com a invasão do Egito por tropas comandadas por Otaviano.

Cleópatra e Marco Antônio foram derrotados na Batalha de Actium, e ambos cometeram suicídio. O destino dos filhos de Cleópatra foi incerto, mas é provável que Otaviano tenha ordenado a execução deles para evitar disputas pelo legado de César. Com a derrota de Ceópatra e Marco Antônio, Otaviano tornou-se o primeiro imperador de Roma, sob o nome de Augusto (Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus).

Um tema sobre Cleópatra que tem recebido destaque atualmente é sua procedência étnica, pois tem ocorrido uma postura de retratá-la como uma mulher negra muito em função do fato de o Egito ter sido uma potência africana. O Egito antigo possuía, obviamente, uma grande população negra, sobretudo na área conhecida como Alto Egito (ao sul do império) e de uma grande mistura étnica no Baixo Egito (norte do império), contudo, Cleópatra fez parte da Dinastia Ptolomaica, resultado do domínio Macedônico sobre o Egito a partir da conquista por Alexandre, o Grande. Após a morte de Alexandre, seu amigo de infância e general Ptolomeu assumiu o Egito como sucessor faraó Ptolomeu I Sóter e então iniciou a dinastia. Os Ptolomeus foram conhecidos por não manter relações de casamentos com egípcios e pelos casamentos interfamiliares. Sua linhagem paterna é bem definida e é de origem greco-macedônica, embora não seja plenamente definida a identidade de sua mãe, embora seja mais aceita a possibilidade de que tenha sido Cleópatra Tifena (ou Cleópatra VI), que pode ter sido prima ou irmã do pai de Cleópatra, Ptolomeu XII Auletes. Nessa confusão de casamentos entre parentes a possibilidade de miscigenação com egípcios negros é remota e o único casamento fora do grupo entre os Ptolomeus ocorreu entre Ptolomeu V Epifânio e Cleópatra I Sira, que era uma princesa do Império Selêucida (Síria) que também foi decorrente das divisões dos domínios de Alexandre – e também de origens greco-macedônicas. Registros documentais e representações do século I a.C. indicam que Cleópatra era branca e tinha cabelos castanhos ou mesmo ruivos.

8 comentários

  1. […] Ela era filha de Tutmés I, que morreu sem deixar outros herdeiros legítimos. Ela casou-se com seu meio-irmão, Tutmés II, e se tornou sua rainha, mas logo ficou viúva e tornou-se regente de seu enteado, Tutmés III, porém ela também conseguiu exercer o poder e declarou-se faraó assumindo as ações do governo (enquanto Tutmés III exercia funções religiosas). Ela foi uma das construtoras mais prolíficas do Egito Antigo, encomendando centenas de projetos de construção em todo o Alto e Baixo Egito, também promovendo algumas das expedições comerciais de maior sucesso do Egito, trazendo de volta ouro, ébano e incenso. Apesar de ser representada na arte com formas masculinas, seguindo a tradição egípcia de que seus faraós eram homens, determinou que nos registros constassem as referências “Filha de Rá” ou “Sua Majestade, Ela”. Com sua morte, em 1458 a.C (aos 84 anos), Tutmés III e posteriormente Amenhotep II tentaram destruir os registros da existência de Hatshepsut, destruindo estátuas e apagando referências escritas, porém o ato foi inútil e ela continuou sendo reconhecida pela posteridade como governante memorável. Hatshepsut é bem conhecida hoje como uma das poucas – e de longe a mais bem-sucedida – mulher a governar o Egito como faraó, tendo como governante muito mais êxito e conquistas que a famosa Cleópatra. […]

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