Zenóbia, a rainha guerreira de Palmira, desafiou o poderoso Império Romano durante o século III. Palmira, uma cidade estrategicamente localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, era uma parada obrigatória na ligação entre Oriente e Europa, proporcionando o desenvolvimento comercial e a formação de uma cultura fascinante que combinava influências greco-romanas e orientais. Os aspectos privilegiados em torno da metrópole trouxeram grande prosperidade, tornando a Palmira uma das mais ricas do Império Romano na época do esplendor da cidade. A combinação das condições de Palmira como centro influente e a atuação Zenóbia proporcionaram um avanço imenso, que se converteu em ameaça para Roma.
Pouco se sabe com exatidão sobre a origem de Zenóbia. Sua ascendência nobre é quase certa, mas a ancestralidade da rainha é cercada por mistérios. A identidade de seu pai é incerta, mas ela pode ser descendente de uma linhagem real selêucida do lado paterno. Outras especulações apontam que ela poderia até ser descendente de Cleópatra, herdeira da Dinastia Ptolomaica fundada por Ptolomeu I.
Seu nome em grego poderia ser traduzido como “aquela cuja vida deriva de Zeus” e ele era reconhecida como uma mulher extremamente culta e habilidosa, educada como membro da nobreza romana e com habilidades adicionais como a fluência em várias línguas. Casou-se com Odenato, o rei de Palmira, quando tinha 14 anos. Ele era um líder respeitado e havia conquistado reconhecimento de Roma por suas campanhas militares bem-sucedidas contra os persas, mas que governava em clara submissão aos romanos. Após a morte do marido, Zenóbia assumiu o controle como regente, governando em nome de seu filho Vabalato.
Aproveitando uma das piores fases do Império Romano, que atravessava a chamada “Crise do Terceiro Século”, Zenóbia liderou Palmira em uma revolta contra o domínio estrangeiro e estabeleceu o Império de Palmira entre os anos de 268 e 272 d.C. Durante seu breve reinado, Zenóbia expandiu as fronteiras de Palmira de forma impressionante, conquistando territórios que pertenciam ao Império Romano, incluindo a Síria, o Egito, a Anatólia, a Palestina e o Líbano. Sua ousadia foi além ao se autoproclamar rainha do Egito, cunhando moedas com sua imagem. Ela governou de maneira autocrática, embora replicasse a instituição romana do Senado, e abriu espaço para a nobreza oriental em seu governo, tendo aliados orientais em seu conselho e ocupando postos de comando militar. Em 271, ela adotou o título romano de “Augusta” para si e de “Augusto” para seu filho, equiparações aos títulos dos imperadores romanos, sinalizando sua independência e provocando Aureliano, o imperador de Roma.
Aureliano mobilizou suas poderosas tropas para retomar os territórios conquistados por Zenóbia e sua supremacia militar foi confirmada, obtendo vitórias decisivas como na Batalha de Emesa, forçando um recuo dos oponentes e conseguindo impor um cerco à Palmira. Embora tenha mostrado grande astúcia militar ao longo de seu reinado, Zenóbia não conseguiu resistir ao avanço de Aureliano. Após uma tentativa frustrada de fuga para obter ajuda dos persas, ela e seu filho foram capturados e levados para Roma, onde Aureliano os expôs em uma marcha triunfal.
Seu destino depois disso não é devidamente esclarecido, contudo, a versão mais aceita indica que ela foi perdoada e passou a viver como uma exilada em condições confortáveis na atual Tivoli, Itália. Outras hipóteses consideram que a rainha morreu por suicídio ou ainda em decorrência de uma doença logo após a detenção pelos romanos.
Referências:


[…] Com a morte de Alexandre Severo, que não tinha sucessor designado, os conspiradores militares estabeleceram Maximino Trácio como novo imperador. O ato significou o fim da Dinastia dos Severos e foi um marco para o início da fase conhecida como “Crise do Terceiro Século” ou “Anarquia Militar”, fase que se prolongou por cinco décadas com governos militares instáveis e ineficientes que não foram capazes de evitar vitórias dos germânicos e perdas territoriais significativas com a formação de Império Gálico (260–274 d.C.) e Império de Palmira (260–273 d.C.), que revelou a poderosa rainha Zenóbia. […]
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