Esclareça dúvidas sobre o novo ENEM

[Clique aqui e confira informações mais detalhadas no site do ENEM]

As universidades federais começam a discutir a unificação de seus vestibulares. Uma nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – mais extensa e mais difícil – substituiria o processo seletivo. O ministro da Educação, Fernando Haddad, autor da proposta, quer que a mudança comece a valer neste ano. O que pode mudar?

O vestibular vai acabar?

Não. A proposta do Ministério da Educação é que uma nova versão do Enem vire a principal etapa do processo seletivo das universidades federais. E de outras que aderirem. O exame pode virar a primeira fase ou substituir o processo todo – isso será definido por cada universidade. De qualquer maneira, os alunos que quiserem os cursos mais procurados vão continuar precisando estudar muito. A principal diferença é que, com o novo Enem, eles poderão se concentrar em um exame só. E usar a nota para pleitear vaga em diversas universidades.

Como vai ser o novo Enem?

A proposta inicial é que, além da redação, a prova passe das atuais 63 questões de múltipla escolha para 200. Serão quatro provas de 50 questões, aplicadas em dois dias, uma de manhã e outra à tarde. A maior mudança será no formato das perguntas. Até hoje, o Enem centrou-se na verificação de habilidades dos candidatos, como o raciocínio lógico e a interpretação de texto. Mesmo quem não lembra as fórmulas matemáticas ou as características de certo escritor pode ir bem apenas raciocinando com as informações do enunciado.

O modelo novo seria um meio-termo entre o formato atual do Enem e o vestibular tradicional: aquele que exige conteúdo extenso e memorização de regras que o aluno raramente vai usar ao longo da vida. Ainda muito adotado em universidades públicas e privadas, esse formato é tido como antiquado pelos especialistas em avaliação. “Eu trabalho com línguas e vejo perguntas de português em alguns vestibulares que não saberia responder sem consultar uma gramática”, diz Gisele Gama, especialista em avaliação educacional. Um exemplo de prova assim é o vestibular da Universidade Federal do Ceará. Em 2008, algumas questões de língua portuguesa apenas verificavam se o candidato lera os livros pedidos. Para isso, uma delas pedia que ele ligasse o nome do personagem a sua descrição.

A principal mudança será inserir a cobrança de conteúdo, sem abandonar a exigência pelas habilidades. “Não somos contra a memorização”, diz Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela reformulação do exame. “O problema é decorar um monte de informações e não saber aprofundar nada.” No novo Enem, o aluno vai ter de aplicar o conteúdo para resolver problemas em situações novas. São caminhos que não podem ser decorados por meio da prática repetitiva na escola ou no cursinho. O candidato deverá saber as características gerais dos personagens dos livros que vão cair na prova. Mas, além disso, pode ser chamado a encontrar a semelhança entre o comportamento de um personagem e dos jovens brasileiros – relacionando a interpretação do livro com uma tabela estatística do Censo.

A prova vai ficar mais difícil?

No formato do Enem atual, é comum que os alunos mais preparados cheguem perto de gabaritar a prova. O empate de notas é frequente. Isso acontece porque a prova foi elaborada para avaliar os alunos individualmente, e não classificá-los. Para que as universidades possam usá-lo para selecionar, o grau de dificuldade vai aumentar na profundidade das questões.

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Quais disciplinas vão cair na prova?

As provas serão divididas em quatro grandes áreas: linguagens e códigos (língua portuguesa, inglês e redação), ciências humanas (geografia e história), ciências da natureza (biologia, física e química) e matemática. Os alunos deverão relacionar os conhecimentos entre as disciplinas. Em uma questão sobre a guerra na Bósnia, por exemplo, ele precisará usar conhecimento de história e geografia para acertar.

Como os candidatos podem se preparar?

O programa da nova prova ainda não tem previsão para ser divulgado. Por enquanto, o jeito é estudar para o vestibular e o Enem atuais. “O exame proposto é mais eficiente para selecionar os melhores”, diz Nicolau Marmo, coordenador-geral do Anglo. “Já tranquilizamos os alunos. Quem estuda passa em qualquer uma dessas provas.”

Como muda a disputa por vagas?

A vida vai mudar, para melhor, para os candidatos que querem prestar vestibular em outras cidades. Os candidatos poderão fazer o Enem em seu Estado e, com a nota, pleitear vagas a distância. Isso dá mais chance a quem não tem renda para viajar. Ainda assim, é possível que as universidades elaborem uma segunda fase para os cursos que exigem habilidades específicas, como arquitetura. E para os mais disputados, como medicina. Nesse caso, é possível que os candidatos precisem se deslocar para fazer a segunda fase.

Por que o governo vai mexer no vestibular?

A preparação para o vestibular é uma das maiores preocupações dos alunos do ensino médio, pais e professores. Mesmo colégios com propostas pedagógicas alternativas sofrem essa pressão. É natural que as escolas orientem seus currículos de acordo com o que vai ser cobrado. Mas as universidades estão preocupadas em selecionar alunos, não em orientar o currículo do ensino médio. E aqui está o principal argumento do ministério: as escolas acabam se distanciando de atividades mais reflexivas, que também são importantes para a formação. Com a mudança, os professores ganhariam tempo para atividades de fixação e elaboração do conhecimento – como redações e pesquisas em grupo.

Para elaborar a proposta, o governo se inspirou no sistema americano de avaliação do ensino médio, o SAT, que também funciona como porta de entrada para as universidades. Além da nota, cada universidade tem outros critérios para selecionar alunos.

No Brasil, o vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, é um dos mais próximos do formato proposto para o Enem. A mudança começou em 1987, quando a universidade deixou de usar a Fuvest (o vestibular da Universidade de São Paulo) como prova de seleção. “A Fuvest mudou de lá para cá, mas, na época, houve um diagnóstico de que tinha pegadinhas e decoreba, o que dava vantagem a alunos treinados para a prova e com conhecimento enciclopédico”, afirma Leandro Tessler, coordenador do processo seletivo da Unicamp.

No novo vestibular da Unicamp, as perguntas passaram a valorizar a leitura, a interpretação e o raciocínio. As fórmulas de física e a tabela periódica estão todas lá, no enunciado. A surpresa é que o perfil dos alunos aprovados quase não mudou. O impacto maior foi sobre as escolas da cidade. “O vestibular era uma referência e, com a mu dança, elas mudaram também.

Quais universidades vão adotar o novo Enem?

A proposta foi apresentada na semana passada às universidades federais. Elas ainda não tomaram posição. Embora recebam verbas federais, não são obrigadas a seguir determinações do ministério. “A ideia é interessante. Todos os reitores se mostraram abertos”, diz Amaro Lins, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. As universidades podem elaborar, em conjunto, o conteúdo da prova.

Se o modelo for aceito na rede federal, há a possibilidade de se expandir às redes estadual e privada. Algumas instituições que já usam o exame como um dos critérios podem aumentar o peso do Enem na classificação. É o caso da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Seu vestibular é composto de prova objetiva, discursiva e re-dação. Se for superior à nota da objetiva, o Enem prevalece. Mas o peso maior ainda é para o exame discursivo. Segundo Ana Maria Zillocchi, coordenadora do vestibular da PUC-SP, a instituição vai observar o processo nas federais para repensar, no futuro, o peso do Enem em sua classificação: “Ainda é muito cedo para falar, mas a ideia é boa”.

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